Dossiê dos tucanos: conheça os escandâlos de Aécio e Alckmin

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O PSDB desde a vitória de Lula em 2002, tornou-se a alternativa política ante o PT que dominou o aparato político ao se aliançar com o PMDB, e por não estar tão à esquerda como seu principal adversário, o que tranquilizava um pouco mais uma considerável parte da população brasileira.

Agora, os tucanos, pela falta de renovação, estão com um grande dilema: atender aos anseios populares e surfar na onda João Dória ou indicar velhos e fortes nomes do partido mergulhados em esquemas de corrupção? Talvez a segunda opção prevaleça, mostrando a desconexão entre o establishment do partido e população, afinal, muitos já deram seus votos ao partido não por alinhamento ideológico, mas sim por acreditarem que os sociais democratas são apenas uma opção menos pior diante da força PT.

Esta relação do PSDB com muito de seus eleitores lembra um diálogo de um filme chamado Watchmen. Em um momento, os personagens que foram o primeiro e o último Coruja ao falarem sobre o fim do grupo de heróis, por causa de uma lei do presidente Richard Nixon que tornou ilegal o uso de pessoas mascaradas fazendo justiça, disseram o seguinte:

 

Primeiro Coruja: “-Não foi justo o que aconteceu a vocês! Nossos sucessores declarados fora-da-lei. Por Nixon, aquele imbecil. E pensar que votei nele cinco vezes.”

Segundo Coruja:”- Era ele ou os comunas, certo?”

 

E é exatamente por isso que muita gente vota no partido, afinal, ou são os tucanos ou algo bem pior, ou seja, o PT, um partido mais radical e que institucionalizou a corrupção. E Provavelmente é o mesmo pensamentos de muitos moradores de São Paulo.

O apelo por Dória tem crescido, mas ao que tudo indica a briga da nomeação do partido ficará entre o governo de São Paulo, Geraldo Alckmin e o senador e presidente nacional do partido, Aécio Neves, ambos mergulhados na lama da corrupção.

O governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, que para muitos é o principal nome do PSDB para 2018 e que já disputou à presidência em 2006, está com seu nome ligado a muitos escândalos que estouraram nos últimos anos. Talvez o que mais causou desconforto foi o caso do Esquema das Merendas, onde de acordo com delações para o Ministério Público Federal, um lobista entrava em contato com políticos e órgãos do governo de São Paulo para que a Coaf fosse à empresa escolhida em contratos de licitações na venda de sucos de laranja. O lucro chegava a 90% e a propina girava em torno de 5% a 25% do valor dos contratos. Dentre os beneficiados pelo esquema estão o ex-chefe do gabinete da Casa Civil do governo de Alckmin, Luiz Roberto Santos; o deputado-estadual, Fernando Capez (PSDB) e o deputado-federal, Duarte Nogueira Jr.

 

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Um outro caso polêmico foi o escândalo do Cartel dos Trens, entre os anos de 1998 e 2008 durante os governos de Mário Covas, Geraldo Alckmin e José Serra. De acordo com a Procuradoria Geral de São Paulo, houve participação de ex-diretores, ex-presidentes da CTPM, executivos de multinacionais, lobistas e empresários nos crimes de lavagem de dinheiro, evasão de divisas, corrupção ativa e passiva, formação de cartel e crime licitatório.

Embora não haja denúncias contra políticos, o caso mostra a falta de fiscalização e de transparência dos governos tucanos em relação a empresas por eles reguladas e mostra que a delação premiada do ex-prefeito de Ferraz de Vasconcelos, Acir Filó está correta em uma de suas afirmações. O psdebista que se diz um afilhado de Alckmin, falou de ilegalidades do PSDB na esfera estadual e acusou o governo estadual de omisso quando o assunto é corrupção.

Na Lava Jato, o tucano é um dos nomes que fazem parte do time de investigados. Segundo uma delação premiada da Odebrecht, ele recebeu mais de R$ 10 milhões como caixa 2 em suas campanhas ao governo de São Paulo em 2010 e 2014. E além disso, documentos da operação sugerem cartel e propina em uma obra em 2002 quando Alckmin governou o estado pela primeira vez.

As denúncias e investigações revelam que as as gestões do tucano envolvidas diretamente ou se omitindo em relação aos casos de corrupção. Valeria a pena ter alguém na presidência sem zelo algum com os impostos, e que são muito altos, de todos os cidadãos?

 

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Isso também pode preocupar os entusiastas de João Dória como um possível candidato à presidência ou ao governo do estado de São Paulo, afinal, ele é uma espécie de “afilhado” político de Alckmin, e, inclusive, é um defensor da candidatura do governador ao Palácio do Planalto. Situações como estas trarão a mente de muitos brasileiros aquele famoso ditado: “Me diga com quem tu andas, que direi quem tu és”. Não estaria na hora de Dória se afastar de Alckmin? Ou ele também é conivente com os erros do partido?

O outro nome forte do PSDB e que está na luta pela nomeação do partido é Aécio Neves. Ele, que foi citado 40 vezes na deleção da família machado, com cinco inquéritos, é o campeão deste quesito na lista do ministro Edson Fachin, por lavagem de dinheiro e corrupção passiva e ativa.

Na Lava Jato, ele também é investigado por outros escândalos. De acordo com a delação premiada do ex-senador, Delcídio de Amaral, o tucano, em 2005, teria pedido ao ex-presidente Lula para não afastar o então presidente de Furnas de seu cargo, já que ele era o operador de um esquema ilegal que desviava recursos da empresa e beneficiava partidos como o PSDB. Além disso, ele esteve à frente da fraude na Cidade Administrativa quando era governador de Minas Gerais. Segundo um delator da Odebrecht, os valores das propinas ficavam entre 2,5% e 3% do valor do contrato.

 

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O nome do senador apareceu mais vezes, embora em algumas das delações o caso tenha sido arquivado, como na propina de Furnas, revelada por Alberto Youssef, onde o tucano teria desviado dinheiro da estatal entre os anos de 1996 e 2000. Outro caso arquivado foi do recebimento de R$ 300 mil do parlamentar de propina da empreiteira UTC. O tucano, inclusive, seria o mais chato na cobrança, segundo o delator.

Condutas que tragam um certo desconforto aos eleitores do tucano não se limitam apenas a corrupção. No dia da morte do ex-ditador cubano, Fidel Castro, Aécio fez uma postagem em sua Página Oficial no Facebook com uma homenagem a um homem que empobreceu a ilha caribenha, perseguiu opositores políticos e homossexuais, fuzilou quem discordava de suas diretrizes políticas.

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Outra antiga companhia do parlamentar que para muitos é difícil de acreditar, é o ex-presidente Lula, ou talvez não seja tão difícil, afinal, ambos estão mergulhados na corrupção e recebendo dinheiro das mesmas empreiteiras. Em 2007, em uma viagem a Minas Gerais, o então presidente e o na época governador trocaram muitos elogios e disseram que na relação entre ambos o que vale é a inteligência. Neste mesmo ano, segundo a Folha de São Paulo, Lula estava articulando a ida de Aécio Neves para o PMDB a fim de que ele disputasse a sua vaga na eleição presidencial em 2010. Além disso, também em 2010, o senador chamou o ptista em uma entrevista de um “fenômeno.

Conforme as investigações se aprofundam, mostra-se cada vez mais aos eleitores do tucano de 2014 que a corrupção e a sede de poder é semelhante a de Dilma Rousseff e do PT. A diferença está apenas na motivação. O tucano quer o poder pelo poder e o dinheiro pelo dinheiro, diferente de sua principal concorrente nas últimas eleições que por trás de toda corrupção e poder, havia também uma ideologia que guiava os planos de um partido que queria mudar ideologicamente o país. Aécio Neves é apenas mais um político tradicional.

Como alguns memes na internet mostram: a cúpula PSDB é o PT sem terno, é o PT sem uma ideologia.

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