Escândalos, brigas e contradições: conheça mais sobre Ciro Gomes

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Quem prestou atenção nas aulas de história do Brasil provavelmente se lembra de um fenômeno da chamada República Velha (1889- 1930): o coronelismo, que consistia basicamente no poder local de um certo grupo que alcançavam as esferas políticas, econômicas e paramilitares de certas regiões dos estados brasileiros. Através deste poder, grande foi a influência nas eleições dos governadores que eram essenciais na vitória de qualquer candidato à presidência.

Mesmo após o fim deste período e de mudanças radicais nos sistema político ao longo do século XX, os coronéis  aumentaram o seu poder e agiram de modo mais cauteloso. Talvez o exemplo mais conhecido no país seja o da família Sarney, no Maranhão, que já elegeu governadores, prefeitos e deputados que possuem este sobrenome ou que sejam apoiados por eles. O poder desse coronelismo moderno é tão importante, que no estado do Maranhão, a ex-presidente Dilma Rousseff, apoiada pela família Sarney, levou 78% dos votos válidos no estado no segundo turno da eleição de 2014.

Quem também tem poder de longa data é a família Ferreira Gomes, no estado do Ceará. Em 1890, ela começou a disputar sua carreira na vida pública quando Vicente César Ferreira Gomes assumiu a prefeitura de Sobral. Depois, outra eleição foi vencida pela família durante a mesma década e apenas em 1935, Vicente Antenor Ferreira Gomes voltou ao poder no município.  A família Ferreira Gomes passou alguns anos longe de disputas eleitorais, mas não da política, como na aliança com o ex-governador do Ceará, César Cals (1971-1975), até que José Euclides Ferreira Gomes assumiu a prefeitura de Sobral em 1977, e, assim, retornou um ciclo ininterrupto de sua família no poder que dura até hoje com Ivo Gomes,  Cid Gomes e o pré-candidato à presidência pelo PDT, Ciro Gomes.

Cid Gomes, que já foi considerado pelo site Ig como o 56° mais poderoso do país, exerceu mandatos como deputado estadual (1991-1995), prefeito de Sobral (1997-2004), governador do Ceará (2007-2015) e ministro da Educação por pouco mais de 3 meses em 2015. Uma de suas na marcas na política é a infidelidade partidária, já que passou por seis legendas diferentes. Ele também chocou o país e foi muito criticado, quando em 2013, pagou um cachê de R$ 650 mil à Ivete Sangalo para um show na abertura de hospital.

 

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O irmão Gomes menos conhecido é Ivo Gomes. O advogado também não é dos mais fiéis à legendas partidárias, pois como seu irmão Cid Gomes, esteve em seis partidos diferentes. Ele já foi deputado estadual pelo Ceará, chefe de Gabinete do governo de seu irmão, Cid Gomes (seria um caso de nepotismo?), secretário de Educação de Fortaleza e atualmente é prefeito de Sobral, como seu irmão e seu pai.

Ciro Gomes é outro que tem uma longa jornada na política, o típico político profissional ou carreirista.  Ele já foi deputado estadual (1983-1988), prefeito de Fortaleza (1989-1990), governador do Ceará (1991-1994), ministro da Fazenda (1994-1995), ministro da Integração Nacional (2003-2006) e deputado federal ( 2007-2011) e secretário da Saúde do estado do Ceará em 2013, nomeado pelo na época governador e seu irmão, Cid Gomes. Mais um caso de nepotismo? Como seus irmãos, ele jamais foi fiel a alguma legenda partidária. Sua vida na política começou no extinto PDS, que sustentava politicamente a Ditadura Militar, e passou depois pelo PMDB, PSDB, PPS, PSB, PROS e PDT.

A ex-esposa do pdtista, Patrícia Saboya foi outra que entrou na política pela influência de seu ex-marido. Ela foi vereadora em Fortaleza pelo PSDB, mesmo partido do ex-marido, em 1996, quando ainda era casada com Ciro Gomes e seguiu na vida pública mesmo após a separação. Ela foi nomeada pelo seu ex-cunhado e na época governador, Cid Gomes, como conselheira do Tribunal de Contas do Ceará.

A família Ferreira Gomes vive na política há mais de um século e agora não almeja mais o poder local, mas o nacional. Ciro Gomes já é pré-candidato à presidência e tentará chegar ao Planalto pela terceira vez. Em 1998 e 2002, ele também concorreu ao cargo e agora  aparece como a esperança política de muitos que se identificam com a esquerda, massacrada nas eleições de 2016 e sem esperanças após a Lava Jato mostrar que o PT estava muito mais afundado na lama da corrupção do que se imaginava. Mesmo que Ciro Gomes surja como uma nova esperança para alguns, a sua carreira política têm muitos lados  sombrios.

Com sua sede de de poder, o pdtista troca de partido e opinião conforme o momento. É normal vê-lo mudar de opiniões sobre pessoas e ideias, como por ter sido do PDS, que apoiava os governos militares, sendo que atualmente ele os critica. Um outro caso é com o ex-presidente Lula. Em uma entrevista ao Blog do Alex Santos, em 2014, ele reafirmou que apoiou o governo ptista. Durante o primeiro governo do PT, Ciro Gomes inclusive trocou de partido para ser ministro, já que na época o PPS era oposição ao PT e em uma entrevista à Folha de São Paulo, em 1997, Ciro Gomes falou que Lula era “um grande cara. Um menino que sai de Pernambuco, escapa da mortalidade infantil, vem num pau-de-arara, pega um torno mecânico, perde um dedo, arruma uma namorada, a engravida, fica assustado se não vai poder encarar isso, vence isso. É de uma dignidade e de uma exemplaridade para a sociedade pobre” . No entanto, em uma discussão com algumas pessoas, sua opinião parece que mudou, pois ele chamou Lula de “merda”. Depois mais uma vez ele voltou a falar do ex-presidente em uma entrevista e sugeriu “sequestrá-lo” se possível para impedir sua prisão na Lava Jato.

 

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Outro político que também já recebeu elogios e críticas do pré-candidato à presidência, foi o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Em uma entrevista à Folha de São Paulo, em 1997, ele disse que o tucano era “uma pessoa boa. Conheço FHC há dez anos. É honesto. Se meus eleitores da esquerda ficarem com raiva, por favor, fiquem com raiva. Não mudo de opinião por apetite de conjuntura. Não faço como amigos, que estão me ofendendo. Acho FHC um homem de boa-fé. Só é incapaz de confrontar desafios por um problema de personalidade.” Já casos de criticas a FHC são facilmente achados no Google.

 

Ciro Gomes, sua família e seus escândalos

Segundo investigações da Polícia Federal em 2009, o empresário Raimundo Morais Filho, teria sido beneficiado em um esquema onde o Ministério da Integração Nacional, cargo ocupado por Ciro Gomes de 2003 a 2006, com repasses de recursos do ministério a prefeituras do Ceará. As licitações favoreciam o empresário, que ficava com 4% do valor dos contratos e restante era repassado ao deputado estadual, Zezinho Albuquerque, que na época era o principal articulista político do governador do Ceará, Cid Gomes. Depois, o dinheiro era repassado às prefeituras que executavam obras com um valor inferior ao previsto no contrato. Documentos apreendidos pela PF, mostraram que a quantia excedente foi destinada ao financiamento da campanha de Cid Gomes ao governo do Ceará e de Ciro Gomes ao Congresso Nacional em 2006, cujo valor desviado foi de R$ 300 milhões.

 

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Em 2015, o Ministério Público Federal entrou com uma ação contra Ciro Gomes e Carlile Lavor por improbidade administrativa quando ambos foram secretário de saúde do Ceará. De acordo com a MPF, houve irregularidades na implantação do Samu em Cariri e houve contratações sem licitações.

Outro caso foi em 2009, quando o site Congresso em Foco revelou que 443 parlamentares, dentre eles o na época deputado-federal, Ciro Gomes, cediam suas cotas de viagens a amigos, familiares ou aliados políticos para viagens turísticas dentro e fora do país, cujo valor gasto por eles foi de quase R$ 20 milhões.

A corrupção e práticas ilícitas não se limitam apenas a Ciro Gomes, mas também aos seus aliados. Sávio Ponte, ex-prefeito de Ipu, teve seu mandato cassado pela justiça e foi preso por corrupção e desvio de dinheiro público. Outra pessoa próxima ao pré-candidato é Natália Ferreira Gomes, que quando se candidatou à prefeitura de Cariús, foi presa pela Polícia Federal por compra de votos e  tráfico de drogas.

 

O temperamento difícil de Ciro Gomes 

Uma das características mais conhecidas do pdtista é o seu gênio forte. São diversos casos e que podem ser facilmente encontrados pela internet, onde ele atacou e xingou pessoas. Um caso conhecido foi quando em uma visita a um hospital, uma mulher perguntou a ele do porquê se investia mais em Copa do Mundo ao invés de melhorar a saúde, uma critica válida de qualquer brasileiro dependente do sistema de saúde público que é um caos. A resposta de Ciro Gomes foi dar as costas à mulher e dizer: “Vá tratar sua mãe com esta conversa aí”.

Outro caso foi quando manifestantes faziam um protesto contra o ex-governo do Ceará, Cid Gomes. Ciro Gomes foi até o grupo, rasgou cartazes e o chamou de “babacas”.

 

Ciro Gomes e suas opiniões sobre economia 

Por sua fala firme e convicta, o ouvinte poderá acreditar que o pré-candidato tem boas ideias para o crescimento financeiro do país. No entanto, uma análise mais profunda mostra é que Ciro Gomes fala coisas bem distantes da realidade. O site Spotniks juntou em um artigo “As 7 maiores bobagens” ditas pelo pdtista. Uma delas foi a de que “o protecionismo brasileiro é parte de nossa cultura e um meio de preservar a nossa identidade”. Como os autores do artigo disseram: “Ao contrário do que afirma Ciro, o brasileiro não deixa de comprar carros alemães e americanos porque considera que “consumir carros demais gera um padrão de consumo irreal e não agrega na nossa cultura e bem-estar”. Deixamos de consumir porque o sindicato das montadoras nos impede”. Pergunte a qualquer brasileiro se ele estaria disposto a pagar mais caro com possibilidade do produto ainda ser de qualidade inferior, só porque a produção é brasileira. Para mostrar mais uma vez que Ciro Gomes está errado, foi com a “Lei da Informática” que impediu a entrada no mercado brasileiro de produtos modernos por meio de uma lei e não pela escolha dos cidadãos. A verdade é que os países mais abertos ao comércio são também os mais prósperos e que os cidadãos tem mais acesso a mercadorias de melhor qualidade, afinal, expandir suas opções de consumo é o desejo de qualquer brasileiro.

 

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Outro ponto destacado pelo Spotniks foi quando o pré-candidato disse que só no Brasil há metas de inflação, algo uma rápida olhada no site da Federal Reserve dos Estados Unidos mostra que Ciro Gomes está outra vez errado.

O pdtista defende uma política parecida com a de Dilma Rousseff: a dos campeões nacionais, de um estado que impulsiona a economia. Não deu certo. O BNDES concentra seus recursos em grandes companhias, sendo que 57 delas consomem 52% dos recursos. A medida protege as grandes empresas de concorrentes ao oferecer créditos baixos e ainda foi um insucesso após o fracasso de empresas como Oi, o grupo EBX etc. Além disso, a prática alastrou mais o número de possíveis casos de corrupção.

Ele também já criticou a Escola Austríaca de Economia, mesmo admitindo logo depois que nunca leu nenhum autor e também já falou em entrevistas que está na hora de abaixar os juros, claro, na base da canetada, já que a inflação diminuiu. Bem, Dilma Rousseff fez o mesmo durante o seu primeiro mandato e qualquer um pode ver os frutos como o desemprego e altas taxas de inflações até pouco tempo.

Ciro Gomes, no geral, defende as mesmas políticas heterodoxas de Dilma Rousseff. Hoje, qualquer um pode ver as consequências das ações da ex-presidente: aumento do desemprego, inflação alta por um certo período, empresas fechando, retração do consumo e do PIB, enfim, consequências nada animadoras para qualquer brasileiro. O pdtista vem com um discurso firme e de grandes novidades, novidades que na verdades são antigas e que falharam e falharão no Brasil em qualquer país do mundo.

Talvez o que melhor caracterize Ciro Gomes é que ele é um museu de grande novidades.

 

 

 

Lista comentário

  • RODRIGO 13 / 03 / 2017 Resposta

    Texto totalmente equivocado, a maioria dos “Erros” já estão refutados, além de apresentar de maneira maldosamente equivocada vários argumentos. Espero que seja mais ignorância do que má fé…

  • Diogo 20 / 05 / 2017 Resposta

    Aprende a escrever, revise o texto. Essa pataquada gramatical atrapalha a credibilidade do seu blog. Boas informações por sinal. Abraço

  • Fernando 24 / 05 / 2017 Resposta

    Segundo a Súmula Vinculante nº13 do STF os dois casos sitados no texto não qualificam o nepotismo, pois se tratam de cargos para agentes políticos e não administrativos.

    Forte abraço.

  • Thiago de Azevedo Duarte 25 / 05 / 2017 Resposta

    Muito ruim a matéria, como tantas outras que encontrei aqui. Em breve ganharão um prêmio abacaxi. Já encaminhei o conteúdo à um site responsável por julgar blogs que disseminam informações distorcidas e enganadoras.

  • Jorge 01 / 06 / 2017 Resposta

    Texto ruim demais. O autor poderia enviar suas análises para o Ciro refutar? Já que se fala de textos isolados. Vc deve ser um dos que pensam que menos Estados com a nossa carga tributária está ótimo! Cuidado para não passar vergonha igual o constantino, blz.

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