Por que os EUA apoiam a Arábia Saudita?

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Quem se interessa por política externa provavelmente já se perguntou por qual motivo os Estados Unidos apoiam a Arábia Saudita, um reino onde muitos de seus príncipes financiam o Estado Islâmico, além de em terras sauditas ser proibido o homossexualismo, consumo de vinho, locomoção de mulheres sem autorização do marido, algo que é o oposto a visão de liberdade do american way of life.

A origem dessa relação data da década 1920 quando surgiu nos EUA uma preocupação em relação ao esgotamento das reservas domésticas de petróleo. As petrolíferas do país a partir daí entraram no mercado do Oriente Médio como parceiros minoritários das companhias europeias. A Standard Oil foi a primeira a se envolver na exploração do “ouro negro” na região e solicitou a permissão dos sauditas para a exploração geológica.

Em 1933, a Standard Oil assinou um acordo com o reino saudita que permitia a exploração do petróleo em parte da península. O rei Ibn Saud inicialmente não quis o negócio, no entanto, ele mudou de ideia por causa da deterioração das finanças do reino. A produção foi interrompida em decorrência da Segunda Guerra Mundial, mas retornou após o fim do conflito e as relações duram até hoje, com uma cooperação econômica e militar. Neste ano, estima-se que o houve uma venda de 300 bilhões de dólares em armas dos EUA ao reino saudita.

 

 

Na segunda metade do século XIX, um fato aproximou mais ainda os laços entre sauditas e norte-americanos: a Revolução Iraniana, em 1979, que derrubou um governo pró-ocidente e instaurou uma república teocrática anti-ocidental. Os interesses dos EUA foram abalados por surgir no Oriente Médio uma potência não alinhada a ele em meio a Guerra Fria. Os sauditas ficaram temerosos por causa de uma possível ascensão de uma nova potência na região e que ameaçaria o poderio e influência saudita.

A religião é outro fator responsável pela divisão de interesses na região. Sunitas e xiitas estão há séculos brigando para definir quem é o representante mais autêntico do islã. Estima-se que cerca de 90% dos muçulmanos sejam sunitas. A Arábia Saudita possui a maior parte de crentes pertencentes a esta “vertente”, enquanto o Irã é o país mais forte de maioria xiita. Iraque, Bahrein e Azerbaijão são outros de maioria xiita do Oriente Médio e que em um possível conflito militar entre as duas potências poderiam se alinhar aos iranianos por questões religiosas.

 

No momento, quem está no meio da briga dessas duas potências é o Iêmen, que geopoliticamente tem grande importância pela proximidade de seu território com o continente africano e por estar ao lado do reino saudita. Desde 2015, o Irã apoia facções rebeldes para derrubar o governo local que é apoiado pelos EUA e a Arábia Saudita.

A aliança árabe e norte-americana se mantém também por causa do ódio nutrido dos iranianos para com os EUA. O apoio ao Estado de Israel; o estilo de vida da população presente em território americano, onde o homossexualismo e o divórcio são permitidos, por exemplo, e a predominância do cristianismo, que é visto pelos muçulmanos como uma religião politeísta, que profere blasfêmias ao pregar que Jesus é o Filho de Deus e por pregar uma proximidade entre os seres humanos e a figura divina, são outras questões que explicam o motivo pelo qual o Irã alimenta grandes rivalidades com norte-americanos. Inclusive, em 2002, o líder supremo do Irã, o  aiatolá Ali Khamenei, chegou a chamar os Estados Unidos de “Grande Satã”.

Se houve em algum momento temor em relação a uma possível ameaça do Irã em relação aos EUA, Israel e Ocidente, ele se intensificou durante o governo de Barack Obama que afrouxou sanções aos iranianos e descongelou cerca de 150 bilhões de dólares em ativos para a continuação de seu programa nuclear.

O presidente Donald Trump é um grande critico do acordo e chegou a dizer que “Um Irã, com uma arma nuclear, iniciaria uma corrida armamentista nuclear no Oriente Médio com consequências potencialmente devastadoras”. Para ele, a sua maior preocupação é com o Estado de Israel, um histórico aliado dos EUA na região.

 

Conclusão

Os EUA estão aliados e vendem armas ao reino saudita para impedir o predomínio do Irã no Oriente Médio, que além de ser uma possível ameça aos EUA e ao Ocidente, é também para Israel.

Certamente os sauditas não aprovam as liberdades e o cristianismo que são grandes marcas dos Estados Unidos. No entanto, em busca de manter seu apoio e influência na região, este reino prefere se aliar com quem fornece ajuda econômica e militar contra o seu maior rival no Oriente Médio.

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